O gênero Omegaverse, com suas hierarquias sociais predefinidas e laços predestinados, tem conquistado leitores em todo o mundo, especialmente no formato de manhwa (quadrinhos coreanos). Dentro deste universo, a dinâmica entre Alfas e Betas, muitas vezes simplificada como dominância e neutralidade, esconde nuances e potencial para narrativas complexas. Este artigo explora a fundo a figura do Alfa e do Beta “não tão Beta” em manhwa, analisando como essas categorias são subvertidas, desafiadas e usadas para criar histórias cativantes e, por vezes, perturbadoras.

O Alfa Arquetípico e suas Limitações
No Omegaverse tradicional, o Alfa é a personificação da força, do poder e da liderança. Dotados de feromônios irresistíveis e um instinto de proteção inabalável, os Alfas são frequentemente retratados como predadores naturais, destinados a dominar e proteger seus Omegas. No entanto, essa representação estereotipada pode se tornar limitante, restringindo a profundidade e a complexidade dos personagens.
Em muitos manhwa, essa imagem idealizada do Alfa é desconstruída. Vemos Alfas lidando com suas próprias inseguranças, vulnerabilidades e incapacidade de controlar seus instintos. A pressão para corresponder às expectativas sociais e a luta contra a natureza predatória inerente à sua condição podem levar a conflitos internos e externos, tornando-os personagens mais humanos e relacionáveis.
O Beta: Mais do que Apenas Neutro
A categoria Beta, frequentemente relegada a um papel secundário no Omegaverse, representa a normalidade e a neutralidade. São indivíduos sem feromônios dominantes ou recessivos, considerados “comuns” e, por vezes, negligenciados em narrativas focadas na dinâmica Alfa/Omega.
No entanto, o potencial do Beta como personagem central e complexo está sendo cada vez mais explorado em manhwa. O “Beta não tão Beta” desafia a noção de neutralidade, demonstrando que a ausência de feromônios não significa ausência de desejos, ambições ou poder.
Exemplos Notáveis e Temas Recorrentes
Analisando manhwa como *Boku no Omega yo Samenaide*, *Alfa no reembolsable* e *Beta Count So Has Changed*, podemos identificar temas recorrentes e exemplos de como a dinâmica Alfa/Beta é explorada de maneira inovadora:
* Subversão da Hierarquia: Em muitos manhwa, a hierarquia tradicional do Omegaverse é questionada. Betas podem ascender a posições de poder, desafiando Alfas e Omegas em suas próprias áreas de domínio. A inteligência, a astúcia e a determinação se tornam ferramentas poderosas para superar as limitações impostas pela sua classificação.
* Relacionamentos Não Convencionais: A ideia de que Alfas e Omegas são destinados a se emparelhar é frequentemente desafiada. Relacionamentos entre Betas e Alfas, Betas e Omegas, ou mesmo relacionamentos poliamorosos, exploram a complexidade do amor e da atração além das categorias predefinidas.
* A Luta pela Autonomia: Personagens Beta frequentemente lutam para serem vistos como indivíduos, e não apenas como “neutros” ou “normais”. Eles buscam autonomia e o direito de definir seu próprio destino, desafiando as expectativas sociais e as imposições do Omegaverse.
* A Sombra da Toxicidade: Alguns manhwa, como *Alfa descalificado*, exploram o lado mais sombrio do Omegaverse, mostrando como a dinâmica de poder entre Alfas e Omegas pode levar à violência, à manipulação e à exploração. A necessidade de desconstruir a masculinidade tóxica e promover relacionamentos saudáveis e consensuais é um tema recorrente.
* A Busca pela Identidade: Tanto Alfas quanto Betas podem se sentir deslocados em um mundo obcecado por feromônios e hierarquias. A busca pela identidade e pelo autoconhecimento se torna uma jornada central, à medida que os personagens questionam seu lugar no mundo e redefinem seu próprio significado.